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Cybersegurança

Gestão de riscos cibernéticos além da TI: Como envolver o negócio de forma efetiva

Durante muito tempo, a gestão de riscos cibernéticos foi tratada como um tema exclusivamente técnico, restrito às áreas de TI e Segurança da Informação. Firewalls, antivírus, patches e controles tecnológicos dominavam as discussões.
No entanto, esse modelo já não reflete a realidade atual.

Hoje, incidentes cibernéticos impactam diretamente o negócio, afetando faturamento, reputação, conformidade regulatória e até a continuidade operacional. Por isso, falar de risco cibernético é, cada vez mais, falar de risco corporativo.

Por que risco cibernético não é só problema da TI?

Um ataque cibernético raramente se limita a um servidor indisponível ou a um sistema fora do ar. Seus efeitos se espalham por toda a organização:

  • Financeiro: interrupção de operações, perdas de receita, multas e custos de recuperação.

  • Jurídico e Compliance: violações à LGPD, contratos e obrigações regulatórias.

  • Reputação e marca: perda de confiança de clientes, parceiros e do mercado.

  • Operacional: paralisação de processos críticos e impacto na entrega de produtos e serviços.

Quando uma empresa sofre um ataque de ransomware, por exemplo, a decisão de pagar ou não o resgate não é técnica. Ela envolve riscos financeiros, legais, éticos e estratégicos, que precisam ser avaliados pela liderança.

Exemplos reais: quando o risco se materializa no negócio

Exemplo 1 – Ransomware em empresa de logística

Uma empresa de logística teve seus sistemas de roteirização criptografados.
Resultado:

  • Entregas atrasadas.

  • Multas contratuais com clientes.

  • Perda de contratos estratégicos.

A falha inicial foi técnica, mas o impacto foi totalmente corporativo.

Exemplo 2 – Vazamento de dados de clientes

Uma organização do setor de serviços sofreu vazamento de dados pessoais.
Consequências:

  • Notificação obrigatória à ANPD.

  • Processos judiciais.

  • Danos à reputação e cancelamento de contratos.

Nesse caso, o risco não estava apenas no servidor vulnerável, mas na forma como a empresa tratava dados pessoais como ativo de negócio.

O principal desafio: traduzir risco técnico em risco de negócio

Um dos maiores obstáculos para envolver o negócio é a forma como o risco é comunicado.

Frases como:

  • “Falha crítica no servidor”

  • “Vulnerabilidade CVSS 9.8”

  • “Sistema sem patch”

fazem sentido para profissionais técnicos, mas não ajudam executivos a tomar decisões.

O negócio precisa entender:

  • Qual processo será impactado?

  • Qual o impacto financeiro?

  • Existe risco regulatório?

  • Qual a probabilidade de interrupção das operações?

Como envolver o negócio na gestão de riscos cibernéticos

1. Conectar riscos cibernéticos aos objetivos estratégicos

Todo risco deve ser relacionado a algo que o negócio valoriza:

  • Receita

  • Continuidade operacional

  • Experiência do cliente

  • Conformidade regulatória

Exemplo:

“A indisponibilidade deste sistema pode impedir faturamento por até 48 horas.”

2. Falar a linguagem da liderança

Trocar termos técnicos por impactos claros:

  • Em vez de “servidor vulnerável”, falar em “risco de paralisação do processo X”.

  • Em vez de “falta de patch”, falar em “aumento da probabilidade de indisponibilidade”.

3. Envolver áreas-chave além da TI

A gestão de riscos cibernéticos deve envolver:

  • Negócio: donos dos processos críticos.

  • Jurídico e Compliance: impactos legais e regulatórios.

  • Financeiro: avaliação de perdas e investimentos.

  • Alta liderança: definição de apetite e tolerância a riscos.

Frameworks como ISO 31000, COBIT e NIST CSF reforçam essa visão integrada.

4. Definir responsabilidades claras

Cada risco precisa ter um dono, e nem sempre esse dono é a TI.

Exemplo:

  • Risco: indisponibilidade do sistema de vendas.

  • Dono do risco: gestor da área comercial.

  • TI: responsável pelos controles técnicos.

5. Usar indicadores que façam sentido para o negócio

Indicadores de risco (KRIs) devem apoiar decisões, não apenas gerar relatórios.

Exemplos:

  • Percentual de sistemas críticos sem backup testado.

  • Tempo médio de indisponibilidade de serviços essenciais.

  • Volume de incidentes com impacto direto em clientes.

O papel do GRC nesse processo

É aqui que os profissionais de Governança, Riscos e Compliance (GRC) ganham protagonismo. Eles atuam como ponte entre:

  • Linguagem técnica da TI

  • Expectativas da liderança

  • Requisitos regulatórios

Seu papel é garantir que:

  • Os riscos sejam compreendidos.

  • As decisões sejam conscientes.

  • A segurança esteja alinhada à estratégia do negócio.

Conclusão

Riscos cibernéticos não são apenas falhas técnicas, são ameaças reais à sustentabilidade do negócio.
Enquanto a segurança for tratada apenas como responsabilidade da TI, a organização continuará reagindo a incidentes, em vez de gerenciá-los de forma estratégica.

Envolver o negócio na gestão de riscos cibernéticos é um passo essencial para:

  • Decisões mais maduras.

  • Investimentos mais assertivos.

  • Organizações mais resilientes.

No cenário atual, segurança da informação é governança corporativa.